No livro Roger Bacon – O Sentido do Moral do Conhecimento, a autora, Profa. Dra. Raphaela Cândido faz uma interpretação por meio de uma leitura crítica sobre o projeto baconiano à luz das questões morais que exigem um olhar atento ao ideal de homem que se deseja formar e para que é necessário formar, diante dos limites e possibilidades das ciências. Assim, justifica o exercício que se fez a fim de evitar sobre esse pensador medieval, um julgamento precipitado que poderia erroneamente se deixar conduzir pelas leituras que se fizeram dele e foram difundidas ao longo de mais de sete séculos. Em vez de classificá-lo como um homem à frente de seu tempo, um mago visionário dotado de capacidade de entender as ciências e trabalhar as técnicas a partir de um conhecimento adquirido como que num passe de mágica, prefiro identificá-lo em meio ao contexto do seu tempo e como filho de seu tempo. Ora preso aos dogmas religiosos de sua Ordem, ora inflamado pelo espírito filosófico-científico que o fazia querer reformar o mundo. Foi exatamente a sua vivência nos centros acadêmicos de Paris e de Oxford, e depois seu ingresso na Ordem dos Irmãos Menores, que lhe deram condições de enxergar aquilo que julgou como perigos contra a cristandade e a sugerir os remédios que poderiam evitar tais males. Uma reforma era urgente e deveria se dar como busca de um sentido moral para o conhecimento, condição para que se efetivasse uma reorganização do reino cristão, a conversão dos infiéis e a repressão dos maus. Esse homem e seu projeto são objetos da investigação que se materializa neste livro.